PRACIÊNCIA

Porque ninguém nasce de bigode…

Serotonina e Depressão

/Você provavelmente já viu um vídeo comovente que andou circulando pelas mídias sociais na última semana falando sobre depressão (se você ainda não viu, pode conferir logo abaixo). O vídeo é uma animação de aproximadamente 4 minutos e fala sobre depressão, uma condição de saúde que vem crescendo vertiginosamente nas últimas décadas e tem sido apontada como o “mal do século”.

 

 

Classicamente, o MDE, sigla em inglês para Episódio Depressivo Maior, é caracterizado por uma depressão severa e altamente resistente, e de acordo com os resultados do último relatório de epidemiologia translacional do MDE, da Organização Mundial da Saúde, está diretamente relacionado com condições sociais dos sujeitos acometidos, havendo também uma forte prevalência entre as mulheres. Atualmente, já se sabe que a depressão engloba um espectro amplo de diversos tipos de quadros depressivos como depressão pós-parto, depressão atípica e inclusive a depressão maior. 

Ultimamente, esta condição que afeta uma grande parcela da população brasileira e coloca nosso país na oitava posição no ranking mundial, tem recebido atenção extra devido a morte do ator Robin Williams, suspeito de cometer suicídio depois de um longo período em depressão.

Comediante Robin Williams.

Comediante Robin Williams.

Esta condição psicossomática vem sendo caracterizada, nos níveis fisiológicos, principalmente por alterações na produção e/ou disponibilidade de certos tipos de neurotransmissores onde o principal deles é a serotonina. Apesar de ser consenso geral que as alterações neste neurotransmissor estejam diretamente relacionadas aos sintomas depressivos, até o momento não existia nenhuma evidência científica de que a falta desta molécula poderia acarretar em um quadro depressivo. A ideia de que a falta de serotonina significava necessariamente o disparo de um quadro depressivo talvez tenha vindo do fato de que alguns medicamentos que aumentam a disponibilidade deste neurotransmissor (os inibidores seletivos da recaptação de serotonina) sejam muito eficazes no combate aos sintomas desta doença.

O fato é que, no mês passado, um estudo divulgado por pesquisadores americanos pode ter começado a clarificar esta questão serotoninérgica. Neste trabalho, os cientistas produziram uma espécie de camundongo incapaz de produzir serotonina nos seus cérebros e surpreendentemente estes animais não apresentavam sinais e sintomas clássicos associados aos quadros depressivos.

Além de não apresentarem sintomas depressivos, os animais desenvolveram comportamentos compulsivos e agressivos, o que pode significar que a serotonina talvez não desempenhe um papel tão importante na depressão como se achava desde o início dos estudos dessa patologia. Apesar de concluírem o trabalho afirmando que este estudo tem o potencial de mudar a criação de antidepressivos no futuro, a equipe do Dr. Donald Kuhn argumenta que estes achados ainda são muito pequenos quando comparados ao que já se conhece da depressão e que carece de maiores comprovações.

Com ou sem serotonina, se este estudo for de fato confirmado, esta informação poderá causar, no mínimo, um desconforto, já que estudos como este deveriam ter sido feitos quando iniciaram-se os trabalhos com os antidepressivos que se valem da ação serotoninérgica para tratar esta condição.

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Sobre Luiz Gustavo Dubois

Ph.D. em Cérebro, Cognição e Comportamento pela Universidade Paris VI. Estuda metabolismo de células-tronco tumorais e contabiliza como único representante do gênero XY por aqui: a cereja desse bolo.

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Publicado às 10 de setembro de 2014 por em Fique por dentro, Praciência e marcado , , , , .