PRACIÊNCIA

Porque ninguém nasce de bigode…

Será verdade que a limpeza excessiva nos protege?

Você lembra do nosso texto sobre sabonetes bactericidas? Lá a gente já citava evidências de que ambientes muito limpos podem acabar facilitando o surgimento de alergias. Pois agora um estudo publicado esse mês no The Journal of Allergy and Clinical Immunology está batendo na mesma tecla. Os autores foram pesquisar as causas de diferentes índices de asma entre crianças moradoras de zonas urbanas ricas, pobres ou áreas rurais.  Para isso, avaliaram um grupo de 467 crianças (de 0 a três anos) em risco de desenvolverem asma (moradoras de áreas urbanas pobres e parentes de algum indivíduo com asma ou alergia). Além disso, realizaram análise microbiológica da poeira coletada de 104 casas.

Os resultados apontam que as crianças que foram expostas durante seu primeiro ano de vida a um “blend” específico de bactérias e alérgenos (pelos de rato e gato e fezes de barata) apresentavam menos chiado no peito aos três anos de idade. É importante mencionar que cerca de 60% das crianças com chiado no peito acaba desenvolvendo asma até os sete anos de idade. Segundo os autores, 41% das crianças observadas sem alergias ou chiado cresceram em casas ricas em alérgenos e bactérias e apenas 8% das crianças alérgicas e com chiados haviam sido expostas a essas substâncias durante o primeiro ano de vida.

Conceitualmente, o trabalho propõe que em ambientes com altos índices de alérgenos, a exposição a determinadas bactérias pode ser benéfica, já que a proteção contra as doenças respiratórias foi encontrada apenas nas casas com a mistura específica de alérgenos + bactérias. Além da descoberta de que certos tipos de sujeira podem ajudar o sistema imune, o estudo aponta que é a exposição inicial durante o primeiro ano de vida que contribui para essa proteção. Agora os pesquisadores pretendem seguir essas crianças até o sétimo ano de vida, para acompanhar quais delas realmente desenvolveram asma. Essa descoberta poderá nos ajudar a encontrar uma maneira efetiva de manipular o ambiente para diminuir o risco de doenças respiratórias crônicas na infância

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Sobre Rossana Soletti

Rossana Colla Soletti tem aquela mania de ficar questionando tudo, mas talvez isso seja coisa de cientista mesmo. É graduada em Farmácia e Bioquímica (UFSC), mestre em Neurociências (UFSC), doutora em Ciências Morfológicas (UFRJ com doutorado-sanduíche na UCSD), pós-doutora em Engenharia Biomédica (UFRJ) e agora é professora, ajudando a formar novos farmacêuticos. Acha que o mundo é igual à ciência: nós é que inventamos as subdivisões, mas o legal mesmo é ter trânsito livre entre elas.

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Informação

Publicado em 20 de junho de 2014 por em Fique por dentro, Praciência.