PRACIÊNCIA

Porque ninguém nasce de bigode…

7 dicas para perseverar na carreira científica

Essa semana o praciência aborda um tema delicado para os que fazem pesquisa: o gargalo científico. Afinal de contas, sabemos que existe um número bem maior de pessoas que começam o mestrado/doutorado do que os que terminam como pesquisadores. Mesmo quem segue adiante na carreira, fazendo um pós-doutorado, encontra dificuldades para se estabelecer no meio acadêmico.

persevere

Uma pesquisa publicada na revista Science sobre expectativas e realidades dos pós-dotorandos apontou que somente 61% dos pós-docs têm expectativas de se tornarem chefes de laboratório. E mais: apenas 37% de todos os pós-docs entrevistados conseguiram uma posição como pesquisador.

O que essa pesquisa não responde é sobre a situação a longo prazo desses 37%. Somente uma parcela dos recém pesquisadores passa pelas revisões “tenures” e se estabelece na carreira. Os outros pós-docs entrevistados encontraram trabalho na indústria (16%), em postos intermediários na universidade (16%) ou nas agências do governo (12%). Cerca de 10% atuam agora em outras áreas.

Esses números são referentes aos EUA e Europa. A grande quantidade de doutores aliada a queda da demanda dos mesmos satura o mercado de trabalho científico americano. Já na Europa os efeitos da crise financeira são visíveis. Os salários dos pesquisadores britânicos continuam congelados desde 2009 e Espanha ainda sofre com recortes econômicos de quase 40% do orçamento da pesquisa levam ao fechamento muitos laboratórios.

Nossa intenção é estimular os jovens a seguirem a carreira científica! Como mencionamos anteriormente, há luz no fim do túnel. Para melhorar esse cenário e injetar motivação em todos nós, aí vão as 7 dicas do praciência.com para vencer o gargalo científico:

1: Invista na carreira fazendo um doutorado sanduíche. É uma opção viável, existem bolsas disponíveis! Estudar fora melhora bastante seu currículo, seu inglês e pode ser uma experiência de vida incrível.

2: Colabore! Além do seu projeto principal, é importante participar de outros projetos dentro ou fora do seu laboratório. Além de ser ótimo para o currículo, é uma oportunidade de estar sempre motivado no laboratório, já que se um projeto anda difícil, o outro pode ir melhor.

3: Participe de seminários, congressos, simpósios e eventos da sua área!  É importante ser criticado e avaliado constantemente por pessoas da área. No fim das contas, para sua pesquisa ser publicada, é preciso passar pelos revisores. O quanto antes você obtiver insights que sua pesquisa anda no caminho certo, melhor. Fique de olho no calendário para pedidos de isenção da taxa de inscrição de cursos e conferências.

4: Construa sua network! Sobretudo, mantenha o contato! Ciência se faz em comunidade. Encontrar colaboradores para seu projeto é fundamental para expandir e responder perguntas mais amplas do seu projeto. Conferências menores porém mais focadas no seu tema de estudo são ideais para encontrar potenciais colaboradores. Porém, não espere a próxima conferência, entre em contato já por email com quem você acha que possa te ajudar!

5: Pratique a arte de escrever seus resultados e revisões. É um grande estímulo para manter-se atualizado na sua literatura, além de facilitar a vida na hora de escrever a tese de doutorado. Não esqueça que alguns journals estimulam a publicação de mini-revisões por estudantes e pós-docs.

6: Crie um nicho para sua pesquisa. Olhe para suas oportunidades e técnicas e tente se diferenciar! Ler sobre outras áreas pode te dar uma luz sobre algo inovador para aplicar na sua pesquisa.

7: Last but not least: certifique que esta é a carreira certa para você! Se você não consegue ir para casa antes de saber se seu experimento funcionou, se você se emociona com os experimentos pioneiros, se você ama fazer novos experimentos, se você adora contar para os outros sobre sua pesquisa e, por fim, se você acha que o laboratório virou sua casa…você corre um grande risco de ser um apaixonado por pesquisa!

Então, não desista!! Persevere!! A Ciência precisa de jovens apaixonados, motivados, éticos que querem contribuir na construção do conhecimento!

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Sobre Patricia Garcez

Patrícia Pestana Garcez é formada em Ciências Biológicas – Mod Médica pela UFRJ. Mestre em Ciências Morfológicas – UFRJ. Fez doutorado sanduiche na Alemanha pela UFRJ. Faz pós-doutorado em Neurobiologia Molecular no NIMR-Mill Hill. Gosta da chuva de Londres, mas prefere o mar do Rio.

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Publicado às 11 de junho de 2014 por em Jaleco no Divã, Lattes mas não morde, Oportunidades e marcado , .

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