PRACIÊNCIA

Porque ninguém nasce de bigode…

Acabei o doutorado. E agora? Parte I – o pós-doutorado

Então você é mais um a entrar nas estatísticas dos doutores brasileiros? Primeiramente, parabéns! Você faz parte de uma seleta faixa da população, de cerca de 0,15% dos habitantes desse país. Além do fato de poder colocar um “Dr.” em frente ao seu nome (não exagere, só faz sentido usar sua titulação em situações profissionais) e proclamar a célebre frase: “doutor é quem tem doutorado”, sua família a essa altura deverá estar bem orgulhosa e fará questão de espalhar que existe um doutor na família.

Muito bem… passada a euforia, o encantamento com a tese e a festa pós-defesa, um estranho vazio começa a tomar conta, e você então se pergunta: “e agora?”. Se você cursou doutorado como aluno bolsista, dedicando-se em tempo integral ao seu projeto de pesquisa, a situação começa a apertar. Dificilmente um aluno sai do doutorado com um emprego garantido, e atualmente a opção mais comum é recorrer a um pós-doutorado. Se você tem certeza que quer seguir carreira acadêmica e pretende melhorar seu currículo para torná-lo competitivo em concursos para professor nas universidades brasileiras, então o pós-doc realmente é sua melhor opção.

1. Fazer um pós-doutorado no Brasil.

Para quem serve: essa é a opção mais tradicional para os que querem ser professores em grandes universidades, mas sem ficar muito tempo fora do país. Você pode ter razões pessoais para isso (pode parecer estranho, mas alguns cientistas namoram e casam!) ou talvez ainda pretende continuar algum trabalho que acabou ficando “pendurado” em seu doutorado, como finalizar e submeter os artigos que foram gerados na sua tese. Só tome cuidado para não acabar fazendo uma longa carreira dentro de um mesmo tema (iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado na mesma linha de pesquisa). É importante respirar novos ares e descobrir coisas novas de vez em quando. Um pós-doutorado em outra universidade ou em outro departamento pode ser a chance para você criar uma nova linha de pesquisa, que irá carregar consigo na sua futura vida acadêmica como orientador.

Dicas para chegar lá: primeiramente, dedique um tempo para compreender em que área você deseja atuar. Isso não precisa ser definitivo, mas aproveitar o pós-doutorado para se especializar em um novo tema que lhe será útil mais tarde é interessante. Envie emails a todos os professores de interesse e, após seu aceite, elabore um projeto e um pedido de bolsa às entidades de fomento brasileiras ou estaduais. O ideal é você ficar de olho nos calendários das instituições antes mesmo de terminar seu doutorado, para evitar ficar no limbo do “doutor desempregado”.

2. Fazer um pós-doutorado no exterior.

Para quem serve: se você pretende prestar concursos em grandes instituições de ensino brasileiras, já sabe que a concorrência é grande. Muitas vezes o doutor aposta em um pós-doutorado fora, na tentativa de melhorar o currículo e voltar com uma bagagem mais competitiva. Além disso, a experiência de viver alguns anos no exterior é sempre bem-vinda no currículo pessoal!

Dicas para chegar lá: aqui, valem as mesmas dicas para o doutorado no Brasil. Pesquise laboratórios compatíveis com sua linha de pesquisa, e entre em contato com todos os pesquisadores que lhe interessam. Já que você está indo para fora, busque laboratórios de renome internacional. Não esqueça de caprichar no seu currículo redigido em inglês. Claro que a cidade para onde você vai também tem que entrar na lista dos prós e contras: não esqueça que você ficará dedicado à pesquisa por um bom tempo, e para isso o ambiente tem que ser agradável. O ideal é que você possa viajar e conhecer a cidade e o laboratório de interesse, falar com seu talvez-futuro orientador e também com outros pesquisadores do laboratório. Com a decisão tomada e o aceite em mãos, agora é hora de conseguir financiamento. Atualmente o programa Ciência sem Fronteiras do CNPq está distribuindo muitas bolsas para pós-doutorandos no exterior. Também é importante consultar sobre a possibilidade de um financiamento no exterior, direto com seu orientador ou através de editais disponíveis no país de destino.

Você cansou dessa vida que os outros denominam de “eterno estudante” e quer fazer outra coisa? Na próxima parte falaremos de outras possibilidades de emprego para os recém-doutores.

Postado por Rossana Soletti

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Sobre Rossana Soletti

Rossana Colla Soletti tem aquela mania de ficar questionando tudo, mas talvez isso seja coisa de cientista mesmo. É graduada em Farmácia e Bioquímica (UFSC), mestre em Neurociências (UFSC), doutora em Ciências Morfológicas (UFRJ com doutorado-sanduíche na UCSD), pós-doutora em Engenharia Biomédica (UFRJ) e agora é professora, ajudando a formar novos farmacêuticos. Acha que o mundo é igual à ciência: nós é que inventamos as subdivisões, mas o legal mesmo é ter trânsito livre entre elas.

2 comentários em “Acabei o doutorado. E agora? Parte I – o pós-doutorado

  1. Pingback: Acabei o doutorado – e agora? – Parte II | PRACIÊNCIA

  2. gustavo
    5 de agosto de 2014

    Por que mestres ou doutores não saem do brasil para fazer pesquisa no exterior? Um mestre ou doutor em genética e biologia molecular que fale inglês precisa ficar no brasil?

    E se pós-graduação não vale a pena, como conseguir um emprego de pesquisador em Harvard só com graduação? Acho que as pessoas exageram quando dizem que mestrado e doutorado são armadilhas.

Comentários dos Pracientistas

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Informação

Publicado às 25 de junho de 2013 por em Lattes mas não morde e marcado .